segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Não contes que é pior!
Já deu para perceber que eu sou uma recente mãe!
Fiz um curso de preparação pré e pós parto (o que aconselho imenso!) e uma das coisas que me lembro do enfermeiro formador nos ter dito foi para não escutarmos as mães que nos querem contar as suas más experiências, porque isso só nos deixa mais ansiosas.
Para dizer a verdade, foram muito poucas as mães à minha volta com histórias difíceis para contar e, na altura, até concordei com o que o enfermeiro disse. Mas hoje, decorrente da minha experiência, tenho a dizer que percebo as mães que nos contam as suas experiências menos cor-de-rosa, porque hoje, contar a minha história, ajuda-me a ultrapassar esse momento que teve tanto de bom quanto de difícil, mas também serve para alertar as futuras mães de determinadas coisas que eu não sabia.
Às minhas amigas, futuras mães, eu digo sempre que 90% das mães que conheço tiveram bons partos e conto que a minha experiência foi mais difícil, mas que o caso delas pode correr sempre bem, porque cada caso é um caso.
No meu caso descobri que:
1) A dor da cesariana - Eu não posso dizer que tenha tido um parto complicado, pois as maiores dores que senti ocorreram no momento dos toques e devido à minha anatomia e ao facto de a minha filha não ter descido (tecnicamente falando, o cólo do útero estava muito "lá para cima"), o que acabou por levar a uma cesariana.
Confesso que isso me entristeceu (eu preferia que tivesse sido um parto natural), mas fui com calma para a operação, até porque com epidural não é suposto sentirmos nada. Mas isso era um MITO! No momento em que nos estão a tentar a criança do ventre, sente-se uma pressão, que parece uma dor, que não é bem dor, mas que parece que não vamos aguentar e foi horrível. Por isso, se ficarem acordadas numa cesariana, não estranhem que isto é normalíssimo de se sentir, segundo me disse a médica.
2) A depressão pós-parto - Dizem que na primeira semana pós-parto é normal estar-se mais deprimida, experienciar os chamados blues, mas atenção, se sentirem que continuam nesse estado, falem com o vosso médico, porque é sinal de depressão. Eu não quis aceitar que estava a cair numa, a médica inclusive aconselhou-me a tomar comprimidos e hoje, 3 meses depois do parto, ainda tenho algumas recaídas, de choros imensos e sem razão, de me sentir abatida. Já estou bem melhor e acho que vou recuperar, agora de forma rápida, mas podia ter evitado maus momentos, que também não beneficiam o casa. Por isso, se sentirem que estão mal, não tenham receio e aceitem a ajuda dos medicamentos!
3) O fecho da cicatriz - Infelizmente, fui vítima de neglicência, por parte das enfermeiras que me mudaram o penso da costura da cesariana. Para terem uma ideia, a minha cicatriz levou um mês e meio para fechar, porque me diziam que as minhas dores a andar (ou depois de andar um pouco, ir às compras, por exemplo) eram normais, porque a cicatriz ia fechar (mas nunca fechava), porque deitar líquido era normal. Até que um dia as dores eram tantas que já nem andar eu conseguia e foi nas urgências que o médico me disse que eu estava com uma infeção. Por isso queridas mães, se se encontrarem nesta situação, saibam que o normal é uma cicatriz de cesariana sarar em, mais ou menos, uma semana, se notarem qualquer dos sintomas que eu tive, confirmem com o vosso médico se não poderão ter uma infeção. E saibam que, nas urgências receitaram-me um medicamento que, por acaso, conseguiu combater a infeção e uma semana depois a minha costura tinha cicatrizado. Mas soube depois na minha médica que esse não era o medicamento mais indicado. Na verdade, nestas situações, devem fazer-nos uma recolha de líquido para identificarem a bactéria causadora da infeção e apenas após receitar o medicamento que a combata.
As más experiências podem causar medos e ansiedades, mas eu prefiro ver o copo meio cheio e pensar que também nos podem preparar melhor e ajudar-nos a reagir melhor, no caso de passarmos por situação semelhante.
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Isto é extremamente importante! Principalmente a parte da depressão pós-parto porque muitas das vezes as mulheres fecham-se em copas porque se disserem alguma coisa o que ouvem de volta é: tu não tens direito a estar triste, tens um bebé lindo e saudável, tens muita sorte!
ResponderEliminarNão é bem assim. Na gravidez o corpo da mulher passa por uma bomba atómica de hormonas e não somos todas iguais!
Ou então porque a mulher está com as defesas tão em baixo que vai piorando com os comentários que vão fazendo. Isto normalmente provém das "dicas tradicionais". A ajuda de mães, avós, tias... é é muito importante mas é interessante que no que consta a um bebé que toda a gente mete o bedelho e dá as suas opiniões gratuitamente. Acaba por ser tóxico.
Exemplo disso é a parte de amamentar. Eu estudei isto tudo e tenho a dizer que o leite da mãe chega perfeitamente mas mal nascem começam a dizer que o leite da mãe não chega, que ela não produz o suficiente, que o bebé vai passar fome e depois metem fórmula como se não houvesse amanhã, metendo a ideia na cabeça das mulheres que ela falhou como mãe. Quando isso não é de todo verdade...
E já fiz alto testamento lol porque isto realmente me chateia.
Beijinhos,
O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'
Estou completamente contigo! E agora que mencionaste a questão da amamentação, eu também deveria ter escrito sobre isso. Para mim foi um processo muito difícil. Apesar dos enfermeiros terem sido incansáveis comigo, a minha filha não fazia bem a pega de jeito nenhum, não sabia mamar. Só depois de experimentarmos os segundos bicos de silicone é que ela começou a mamar, mas nem assim ela mamava como devia, começou a perder imenso peso e teve de passar para o leite artificial. Apesar de todos os esforços, ao fim de um mês e meio o meu leite secou. Mesmo tirando com a bomba, não conseguia mais que 5ml de cada mama. E confesso que foi difícil ouvir comentários em como eu não me tinha esforçado.
EliminarHonestamente, eu acho que só a própria mulher sabe o que passa, todo o stress de ter de cuidar 24/24 horas de um novo ser, de ser tudo novo, de ter dores, de o corpo estar todo diferente, as hormonas alteradas. Parece-me óbvio que queremos o melhor para os nossos filhos e eu tentei (e muito!) e não consegui e ouvir outros dizerem que não me esforcei para amamentar (porque muitas mães, pelos vistos, o fazem, por sua iniciativa) ainda me deixou mais em baixo e fez-me sentir como se estivesse a falhar com a minha filha - exatamente como descreveste.
Felizmente o pediatra que fez o check up à minha filha, ainda no hospital, foi um querido e tranquilizou-me, porque é normal que nem sempre se consiga e não temos de nos sentir culpadas.
Tomara toda a gente tivesse essa capacidade de não julgar e não meter o bedelho.
Tal como uma amiga me disse ainda hoje, perguntem antes como estamos, porque apesar de a criança ser o centro das atenções, nós mães também precisamos que cuidem de nós, porque, por mais maravilhoso que este processo seja, é também difícil.
Por isso, muito obrigada pelas tuas palavras!!
Também acabei por fazer um testamento :)