Já deu para perceber que eu sou uma recente mãe!
Fiz um curso de preparação pré e pós parto (o que aconselho imenso!) e uma das coisas que me lembro do enfermeiro formador nos ter dito foi para não escutarmos as mães que nos querem contar as suas más experiências, porque isso só nos deixa mais ansiosas.
Para dizer a verdade, foram muito poucas as mães à minha volta com histórias difíceis para contar e, na altura, até concordei com o que o enfermeiro disse. Mas hoje, decorrente da minha experiência, tenho a dizer que percebo as mães que nos contam as suas experiências menos cor-de-rosa, porque hoje, contar a minha história, ajuda-me a ultrapassar esse momento que teve tanto de bom quanto de difícil, mas também serve para alertar as futuras mães de determinadas coisas que eu não sabia.
Às minhas amigas, futuras mães, eu digo sempre que 90% das mães que conheço tiveram bons partos e conto que a minha experiência foi mais difícil, mas que o caso delas pode correr sempre bem, porque cada caso é um caso.
No meu caso descobri que:
1)
A dor da cesariana - Eu não posso dizer que tenha tido um parto complicado, pois as maiores dores que senti ocorreram no momento dos toques e devido à minha anatomia e ao facto de a minha filha não ter descido (tecnicamente falando, o cólo do útero estava muito "lá para cima"), o que acabou por levar a uma cesariana.
Confesso que isso me entristeceu (eu preferia que tivesse sido um parto natural), mas fui com calma para a operação, até porque com epidural não é suposto sentirmos nada. Mas isso era um
MITO! No momento em que nos estão a tentar a criança do ventre, sente-se uma pressão, que parece uma dor, que não é bem dor, mas que parece que não vamos aguentar e foi horrível. Por isso, se ficarem acordadas numa cesariana, não estranhem que isto é normalíssimo de se sentir, segundo me disse a médica.
2)
A depressão pós-parto - Dizem que na primeira semana pós-parto é normal estar-se mais deprimida, experienciar os chamados blues, mas atenção, se sentirem que continuam nesse estado, falem com o vosso médico, porque é sinal de depressão. Eu não quis aceitar que estava a cair numa, a médica inclusive aconselhou-me a tomar comprimidos e hoje, 3 meses depois do parto, ainda tenho algumas recaídas, de choros imensos e sem razão, de me sentir abatida. Já estou bem melhor e acho que vou recuperar, agora de forma rápida, mas podia ter evitado maus momentos, que também não beneficiam o casa. Por isso, se sentirem que estão mal, não tenham receio e aceitem a ajuda dos medicamentos!
3)
O fecho da cicatriz - Infelizmente, fui vítima de neglicência, por parte das enfermeiras que me mudaram o penso da costura da cesariana. Para terem uma ideia, a minha cicatriz levou um mês e meio para fechar, porque me diziam que as minhas dores a andar (ou depois de andar um pouco, ir às compras, por exemplo) eram normais, porque a cicatriz ia fechar (mas nunca fechava), porque deitar líquido era normal. Até que um dia as dores eram tantas que já nem andar eu conseguia e foi nas urgências que o médico me disse que eu estava com uma infeção. Por isso queridas mães, se se encontrarem nesta situação, saibam que o normal é uma cicatriz de cesariana sarar em, mais ou menos, uma semana, se notarem qualquer dos sintomas que eu tive, confirmem com o vosso médico se não poderão ter uma infeção. E saibam que, nas urgências receitaram-me um medicamento que, por acaso, conseguiu combater a infeção e uma semana depois a minha costura tinha cicatrizado. Mas soube depois na minha médica que esse não era o medicamento mais indicado. Na verdade, nestas situações, devem fazer-nos uma recolha de líquido para identificarem a bactéria causadora da infeção e apenas após receitar o medicamento que a combata.
As más experiências podem causar medos e ansiedades, mas eu prefiro ver o copo meio cheio e pensar que também nos podem preparar melhor e ajudar-nos a reagir melhor, no caso de passarmos por situação semelhante.